Em Barra do Choça (BA), hospedagem para casais cobra até R$ 1.400 a diária e aposta em privacidade, natureza e chalés sem televisão
O Chalé Bosque da Fortuna, em Barra do Choça, no sudoeste da Bahia, registrou 100% de ocupação nos últimos 24 meses, segundo os controles dos proprietários. As diárias variam entre R$ 800 e R$ 1.400, conforme a acomodação e o período, e a empresa recebe cerca de 40 novos contatos comerciais por dia. O negócio é comandado pelo CEO, Henrique Miranda, e tem a empresária Thaís Marques Silva como cofundadora. Ele foi organizado em torno do que, para os fundadores, os casais mais valorizam: privacidade, paz e tempo de qualidade juntos.
O desempenho coincide com uma fase de aquecimento do turismo no país. O índice de atividades turísticas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) subiu 2,5% em agosto, segundo mês seguido de alta. Levantamento da Fecomercio-SP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), divulgado pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), mostra que o setor faturou R$ 25,5 bilhões em julho de 2026, o melhor resultado em 14 anos. A Bahia teve a maior alta entre os estados, de 18,7%. Num mercado em que 97% dos CNPJs são de micro e pequenas empresas, comparar tarifas faz parte da rotina de quem procura hospedagem.
O que os casais procuram no Bosque da Fortuna?
A proposta começa por algo que falta de propósito. Os chalés não têm televisão, uma escolha feita para favorecer a convivência do casal. Ela responde a um hábito nacional: segundo o relatório Digital 2026: Brazil, da We Are Social com a Meltwater, os brasileiros passam em média 53 horas e 30 minutos por semana na internet, contra 33 horas e 27 minutos da média global. Na pesquisa Consumer Pulse, da Bain & Company, 28% dos brasileiros entrevistados disseram querer reduzir o tempo de tela.
O restante da estrutura segue a mesma linha. As acomodações têm arquiteturas diferentes entre si, como a Casa de Vidro, e a estadia pode incluir massagens, passeios e momentos privativos na natureza. Da arquitetura à ausência da TV, cada decisão foi tomada para reforçar a mesma promessa feita ao casal.
Por que a empresa mantém o valor da diária?
Segundo os proprietários, o preço aparece entre as principais objeções de quem consulta e não conclui a reserva. A empresa mesmo assim manteve a tarifa, por um motivo ligado ao tamanho da operação. Com um número limitado de chalés, baixar o valor para atrair mais gente comprometeria a margem sem fortalecer a marca.
A procura sustenta a escolha. Nos fins de semana, as reservas são feitas em média com 30 dias de antecedência. Durante a semana, boa parte delas acontece entre quatro e oito dias antes da chegada. Os cancelamentos ficaram em torno de 5% no período analisado, e as datas liberadas foram revendidas, o que garantiu a ocupação integral.
Quanto pesa o hóspede que volta?
Cerca de 30% dos hóspedes retornam em até três meses, muitas vezes para conhecer outra acomodação. Numa hospedagem de lazer, procurada para datas especiais, a variedade de chalés dá ao casal um motivo para voltar sem repetir a estadia anterior.
“Quando um casal decide voltar em tão pouco tempo, entendemos que não foi apenas a estrutura que despertou interesse. Existe algo na experiência que ele deseja viver novamente”, afirma Henrique Miranda, CEO do Chalé Bosque da Fortuna.
De onde vêm os hóspedes do Bosque da Fortuna?
A clientela é sobretudo regional. Cerca de 60% dos hóspedes moram em Vitória da Conquista, terceira cidade mais populosa da Bahia, com 396.613 habitantes estimados pelo IBGE para 2025. Outros 20% vêm de municípios num raio de até 300 quilômetros, 15% de outras partes do Nordeste e do norte de Minas Gerais, e o restante de outros estados.
Esse perfil acompanha o comportamento do viajante brasileiro. Pela PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua): Turismo 2024, do IBGE, 80,9% das viagens nacionais tiveram origem e destino na mesma região, e 62% duraram de zero a três pernoites. O lazer liderou os motivos das viagens pessoais, com 39,8%. Para uma pequena hospedagem, isso significa que o público fiel pode estar a poucas horas de estrada.
O que o caso ensina a outros pequenos empreendedores?
O modelo do Bosque da Fortuna se apoia na coerência. Arquitetura, ausência de televisão, passeios e massagens apontam para a mesma necessidade do cliente, e o negócio abriu mão até de itens comuns na hotelaria para manter esse foco. Para pequenos negócios, a diferenciação pode vir menos de acrescentar sofisticação e mais de entender a fundo o que o cliente procura e organizar a empresa ao redor disso.
Para os fundadores, inovar também é perceber uma necessidade humana e atendê-la com cuidado e consistência. O empreendimento mostra as acomodações e a rotina dos chalés no Instagram @chalebosquedafortuna e no site do Chalé Bosque da Fortuna.
Perguntas frequentes sobre o Chalé Bosque da Fortuna
Onde fica o Chalé Bosque da Fortuna?
O Chalé Bosque da Fortuna fica em Barra do Choça, no sudoeste da Bahia, próximo a Vitória da Conquista. É uma hospedagem voltada a casais, com acomodações de arquitetura distinta, como a Casa de Vidro.
Quanto custa a diária no Chalé Bosque da Fortuna?
As diárias do Chalé Bosque da Fortuna variam entre R$ 800 e R$ 1.400, conforme a acomodação e o período da reserva.
Por que os chalés do Bosque da Fortuna não têm televisão?
Os chalés do Bosque da Fortuna foram planejados sem televisão para favorecer a convivência do casal durante a estadia. A experiência inclui ainda massagens, passeios e momentos privativos na natureza.
