Dr. Fernando Borges Ribeiro alerta para a queda da testosterona no homem moderno e os impactos da “Extinção Masculina” global
Segundo o especialista, o fenômeno representa um dos maiores desafios da saúde do homem na atualidade, com reflexos que vão muito além da vida sexual.
Enquanto a medicina avança em ritmo acelerado e a expectativa de vida da população aumenta, um fenômeno silencioso vem despertando a atenção de pesquisadores e profissionais da saúde em diversos países: a redução progressiva dos níveis de testosterona observada nas últimas décadas.
Entre os médicos brasileiros que acompanham esse tema, está o urologista e andrologista Dr. Fernando Borges Ribeiro, que tem levado essa discussão a congressos, palestras e eventos científicos dedicados à saúde masculina.
Segundo o especialista, diferentes estudos publicados nos últimos anos sugerem que os homens de hoje apresentam, em média, níveis de testosterona inferiores aos observados em gerações anteriores. As causas são multifatoriais; muitas ainda tidas como apenas de associação (correlação), outras já estabelecidas como causalidade direta, como obesidade, sedentarismo, alterações do sono, estresse e exposições químicas, indo além do fenômeno do envelhecimento natural.
“Historicamente, a redução da testosterona era associada principalmente ao avanço da idade. Hoje, observamos alterações hormonais cada vez mais precoces, inclusive em homens jovens, com possíveis repercussões sobre qualidade de vida, desempenho físico, saúde metabólica, comportamento e bem-estar”, explica o Dr. Fernando Borges.
A testosterona desempenha funções importantes no organismo masculino. Quando seus níveis estão reduzidos, podem ocorrer alterações relacionadas à função sexual, composição corporal, força muscular, disposição, humor e desempenho cognitivo. A avaliação, entretanto, deve sempre considerar o contexto clínico de cada paciente, já que nem toda redução laboratorial caracteriza deficiência hormonal.
Para o médico, parte dessa tendência pode estar relacionada às profundas mudanças no estilo de vida moderno.
“A epidemia mundial de obesidade é o fator mais relevante e mais prevalente, mas não é o único. Sedentarismo, privação de sono, estresse crônico, alimentação rica em ultraprocessados e a exposição crescente a substâncias com potencial de interferir no sistema endócrino parecem contribuir para esse cenário”, afirma.
Esses compostos, conhecidos como desreguladores endócrinos, estão presentes em diversos produtos do cotidiano, incluindo alguns plásticos, pesticidas e materiais industrializados. Embora ainda existam aspectos em investigação, a literatura científica tem dedicado atenção crescente ao possível impacto dessas substâncias sobre a saúde reprodutiva e hormonal.
O tema tornou-se uma das principais palestras ministradas pelo Dr. Fernando Borges em eventos médicos. Sob o título “A Extinção Masculina do Homem Moderno e Seus Desdobramentos na Saúde, Longevidade e Economia Global”, a apresentação utiliza a expressão “extinção masculina” como uma metáfora para discutir a deterioração progressiva de indicadores relacionados à saúde do homem moderno, reunindo evidências científicas sobre seus possíveis impactos individuais e coletivos.
A discussão vai além da saúde reprodutiva. Envolve aspectos relacionados à obesidade, sarcopenia, doenças metabólicas, fertilidade, produtividade, envelhecimento saudável e qualidade de vida, além de possíveis repercussões sociais, comportamentais, econômicas e demográficas.
“Quando falamos em testosterona, não estamos falando apenas de libido, sexo ou desempenho físico. Estamos falando de um hormônio que participa de diversos processos fisiológicos importantes. Preservar a saúde hormonal significa olhar para o indivíduo de forma integral, promovendo prevenção, hábitos saudáveis e acompanhamento médico quando necessário”, destaca.
Para o especialista, compreender os fatores envolvidos nessa mudança representa um dos grandes desafios da medicina contemporânea. Mais do que discutir tratamentos, o momento exige ampliar a conscientização da população sobre prevenção, controle dos fatores de risco e promoção de um estilo de vida saudável, permitindo que homens envelheçam com mais saúde, autonomia e qualidade de vida.
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