Respiração Bucal Pode Alterar a Postura Corporal e a Solução Está na Odontologia
Especialista explica como o desequilíbrio do sistema estomatognático influencia a postura e por que tratar apenas os sintomas nem sempre resolve o problema
Mandíbula retraída, lábios entreabertos, língua fora da posição adequada, arcadas dentárias pouco desenvolvidas e baixo tônus muscular. Essas são algumas das características frequentemente predominantemente pela boca. observadas em indivíduos que respiram Embora muitas pessoas associem essas alterações apenas à estética facial ou à respiração, especialistas alertam que o problema pode impactar diretamente a postura corporal e o funcionamento global do organismo. De acordo com a cirurgiã-dentista Dra. Rossana Schiavo, a respiração bucal desencadeia uma série de adaptações que levam o corpo a buscar mecanismos compensatórios para captar mais ar.
“A postura do respirador bucal é bastante característica. Normalmente observamos a cabeça e os ombros projetados para frente. Trata-se de uma adaptação do organismo para facilitar a entrada de ar. No entanto, essa compensação provoca sobrecarga muscular e reduz a eficiência respiratória”, explica.
Segundo a especialista, essa alteração postural pode comprimir o diafragma e diminuir a capacidade de expansão pulmonar, comprometendo a qualidade da respiração e gerando impactos em diversas funções do corpo. Apesar de muitas pessoas procurarem atividades como pilates, natação, fortalecimento muscular ou outras abordagens voltadas à postura, Dra. Rossana destaca que esses recursos, embora importantes, não são capazes de resolver o problema quando a origem está na respiração bucal. “Você pode melhorar a musculatura e trabalhar a postura, mas se a causa continuar presente, o corpo continuará criando compensações. Por isso, é fundamental identificar a origem do problema e tratá-la adequadamente”, afirma.
A origem dessas alterações está frequentemente relacionada ao desequilíbrio do chamado sistema estomatognático, um conjunto de estruturas que engloba dentes, mandíbula, articulação temporomandibular (ATM), músculos da face, língua, mastigação, deglutição, selamento labial e respiração. Quando esse sistema não funciona de forma harmoniosa, surgem alterações que podem influenciar não apenas a saúde bucal, mas também a postura corporal, o sono, a respiração e a qualidade de vida. “Quando encontramos mandíbula retraída, língua mal posicionada, ausência de selamento labial e alterações no desenvolvimento das arcadas dentárias, estamos diante de fatores que caracterizam a respiração bucal. Esses elementos precisam ser avaliados em conjunto para que o tratamento seja realmente eficaz”, explica.
Nesse contexto, a especialista ressalta a importância da atuação odontológica no diagnóstico e na correção da causa do problema. “Muitas pessoas acreditam que alterações posturais como essas devem ser tratadas exclusivamente por fisioterapeutas ou ortopedistas. Esses profissionais têm um papel extremamente importante, mas quando a origem está no sistema estomatognático, é necessário tratar as estruturas que estão provocando a compensação postural. É aí que entra a atuação do dentista capacitado para trabalhar o equilíbrio desse sistema.”
Uma das abordagens utilizadas pela Dra. Rossana é o Método HBTC-RFA, tratamento que utiliza um dispositivo intraoral com atuação neuromuscular para promover o reequilíbrio funcional do sistema estomatognático. Segundo a especialista, o método atua no redirecionamento da respiração bucal para a nasal, favorece o avanço mandibular, promove o equilíbrio das tensões musculares e melhora o funcionamento da ATM. “O objetivo não é apenas corrigir uma postura. O foco é restaurar o equilíbrio funcional de todo o sistema. Quando a respiração, a posição da língua, a mandíbula e a musculatura passam a funcionar adequadamente, a postura melhora como consequência desse processo”, destaca.
A conscientização sobre a relação entre respiração, desenvolvimento facial e postura vem crescendo entre os profissionais da saúde. Para Dra. Rossana Schiavo, compreender essa conexão é fundamental para que pacientes encontrem soluções efetivas e duradouras. “Precisamos olhar além do sintoma. Muitas vezes, aquilo que parece ser apenas um problema postural tem origem em alterações funcionais da cavidade oral. Quando tratamos a causa, permitimos que todo o organismo encontre novamente o seu equilíbrio”, conclui.
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