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Antiga residência de Shaquille O’Neal, mansão de 30 mil pés quadrados na Flórida passa pela transformação mais ambiciosa de sua história

A reforma de uma das residências mais conhecidas de Windermere, na Grande Orlando, expõe uma face pouco visível do mercado de alto padrão: antes do resultado estético, um projeto desta…

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A reforma de uma das residências mais conhecidas de Windermere, na Grande Orlando, expõe uma face pouco visível do mercado de alto padrão: antes do resultado estético, um projeto desta escala é um exercício de logística, engenharia e decisão. A designer brasileira Andria Tagliari, à frente do trabalho, abre o processo

A reforma de uma das residências mais conhecidas de Windermere, na Grande Orlando, expõe uma face pouco visível do mercado de alto padrão: antes do resultado estético, um projeto desta escala é um exercício de logística, engenharia e decisão. A designer brasileira Andria Tagliari, à frente do trabalho, abre o processo

Em Windermere, região de condomínios de alto padrão na Grande Orlando, a antiga residência de Shaquille O’Neal passa por uma das transformações mais ambiciosas do mercado residencial da Flórida. A mansão tem hoje aproximadamente 30 mil pés quadrados, cerca de 2.800 metros quadrados, e chegará a 35 mil pés quadrados, perto de 3.250 metros quadrados, ao fim da ampliação. O projeto está a cargo da brasileira Andria Tagliari, hoje radicada nos Estados Unidos, que reúne mais de duas décadas de experiência em projetos residenciais de alto padrão.

O contexto ajuda a entender a escala do mercado em que o projeto se insere. Segundo o levantamento internacional da National Association of Realtors, a Flórida concentra sozinha 21% de todas as compras internacionais de imóveis residenciais nos Estados Unidos. O relatório de 2025 da Florida Realtors mostra esse movimento em aceleração: as compras de estrangeiros no estado cresceram 50% em um ano e somaram US$ 10,4 bilhões, com o Brasil entre os três países que mais investem, respondendo por US$ 762 milhões. Dentro da Flórida, a região metropolitana de Orlando é o segundo principal destino desses compradores, atrás apenas do sul do estado.

Nesse universo, projetos de grande escala formam uma categoria à parte. Uma residência de 2.800 metros quadrados não é uma casa grande: é um programa. A transformação em curso é integral e reconfigura a casa por completo: aos 12 quartos existentes serão somados cerca de seis novos, e a reforma envolve sistemas de climatização, automação e iluminação que precisam conversar entre si, em um canteiro que opera sem comprometer a estrutura existente. Aproximadamente 40 profissionais atuam nas diferentes frentes do projeto, entre arquitetura, engenharia, execução e fornecedores. A obra começou em janeiro de 2026 e tem conclusão prevista para março de 2027.

Parte da identidade do imóvel será reinventada, parte será preservada. A antiga quadra de basquete foi removida para dar lugar aos novos ambientes, mas o piso original será reaproveitado na área destinada aos funcionários, mantendo viva uma camada da história da casa. Entre as principais intervenções está também a readequação completa do foyer, que receberá uma linguagem com referências à estética indiana, criando uma nova identidade para a residência.

É aqui que aparece o que Andria Tagliari costuma chamar de engenharia invisível: a estrutura, a ergonomia, os encaixes e o equilíbrio de proporções que o morador não vê, mas sente todos os dias. Em escala pequena, um erro de proporção é um incômodo. Em 30 mil pés quadrados, é um erro que se repete por dezenas de ambientes e compromete o valor do ativo.

“Em uma residência dessa escala, uma decisão nunca afeta apenas um ambiente. Ela se repete por toda a casa. Por isso, cada escolha precisa considerar estética, funcionalidade, execução e o valor futuro da propriedade”, afirma a designer.

O movimento acompanha uma mudança de critério no topo do mercado. O comprador de alto padrão, brasileiro ou americano, passou a exigir dos projetos aquilo que exige dos demais investimentos: permanência. A pergunta deixou de ser o que a casa mostra e passou a ser o que ela sustenta ao longo de décadas, em conforto, em funcionamento e em valor de revenda.

Se os ícones residenciais de uma geração eram medidos pelo que exibiam, os desta parecem medidos pelo que resistem a exibir.

Quanto da riqueza contemporânea está migrando, silenciosamente, do que se mostra para o que se vive?

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Redação Beauty Harmonia.