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Quando uma mulher precisa abrir mão dos próprios óvulos para realizar o sonho da maternidade?

Ovodoação pode abrir um novo caminho para mulheres com baixa reserva ovariana, insuficiência ovariana, idade reprodutiva avançada, condições genéticas ou que tiveram a fertilidade comprometida por doenças e tratamentos Descobrir…

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Ovodoação pode abrir um novo caminho para mulheres com baixa reserva ovariana, insuficiência ovariana, idade reprodutiva avançada, condições genéticas ou que tiveram a fertilidade comprometida por doenças e tratamentos Descobrir que os próprios óvulos talvez já não ofereçam uma possibilidade viável para uma gravidez pode ser um momento de grande impacto para uma mulher que…

Ovodoação pode abrir um novo caminho para mulheres com baixa reserva ovariana, insuficiência ovariana, idade reprodutiva avançada, condições genéticas ou que tiveram a fertilidade comprometida por doenças e tratamentos


Descobrir que os próprios óvulos talvez já não ofereçam uma possibilidade viável para uma gravidez pode ser um momento de grande impacto para uma mulher que deseja ser mãe. A questão vai muito além de um resultado de exame. Quando a ovodoação entra na conversa, aparecem perguntas que envolvem identidade, genética, vínculo e a própria maneira como aquela mulher imaginou a maternidade.


A ovodoação, ou recepção de óvulos, é uma das possibilidades da medicina reprodutiva para pacientes que não podem utilizar seus próprios óvulos ou apresentam chances muito reduzidas de obter uma gestação com eles.


Para a ginecologista Dra. Carla Iaconelli, especialista em Reprodução Humana, essa conversa precisa começar pelo acolhimento, e não apenas pelas probabilidades de sucesso do tratamento.

Dra. Carla Iaconelli (Foto: Divulgação)


“Quando a possibilidade da ovodoação aparece, muitas mulheres precisam primeiro elaborar a ideia de que o filho não terá o material genético do seu óvulo. Isso pode mexer profundamente com expectativas construídas durante anos. Por isso, não basta apresentar uma técnica. Precisamos informar, acolher e respeitar o tempo de cada paciente”, explica.


Embora seja frequentemente associada à idade reprodutiva avançada, a ovodoação não é uma questão apenas de idade. A fertilidade feminina diminui progressivamente ao longo dos anos e essa redução ganha maior importância a partir dos 35. Além da diminuição da reserva ovariana, o avanço da idade está relacionado à redução da qualidade dos óvulos e ao aumento da proporção de alterações cromossômicas.


Mulheres mais jovens também podem receber indicação para avaliar a utilização de óvulos doados em situações como insuficiência ovariana prematura, reserva ovariana muito baixa, comprometimento ou ausência dos ovários, determinadas condições genéticas ou após tratamentos que possam prejudicar significativamente a função ovariana, como alguns tratamentos contra o câncer.


Dados dos Centers for Disease Control and Prevention (CDC), dos Estados Unidos, referentes a 2022, ajudam a demonstrar a influência da idade do óvulo nos resultados da reprodução assistida. Entre transferências realizadas com óvulos ou embriões da própria paciente, a taxa de nascimento vivo foi de aproximadamente 40,8% aos 35 anos, 31,6% aos 40 e 20,2% aos 43. Nos tratamentos com óvulos ou embriões doados, os resultados ficaram mais estáveis entre as diferentes idades das receptoras, aproximadamente entre 37% e 43% por transferência.


Isso não significa que completar 35 anos seja sinônimo de precisar de ovodoação. Reserva ovariana, histórico reprodutivo, ultrassonografia, exames hormonais, tratamentos anteriores e outras características clínicas precisam ser avaliados individualmente.


No Brasil, os tratamentos são realizados de acordo com as normas éticas do Conselho Federal de Medicina (CFM) e as exigências sanitárias aplicáveis. A candidata à doação passa por avaliação e deve cumprir critérios médicos, sanitários e éticos. Pelas normas vigentes do CFM, a doadora deve ser maior de idade e ter, em regra, até 37 anos.


Além das questões médicas, existe um aspecto emocional importante. Uma das perguntas mais frequentes é: “Se o óvulo não é meu, o bebê será meu?” Na ovodoação, o óvulo contém o material genético da doadora. Após a fecundação e a formação do embrião, ele é transferido para o útero da receptora, que vivenciará a gestação. O organismo materno participa intensamente do desenvolvimento fetal, embora isso não signifique substituir ou reescrever o DNA herdado do óvulo.


“Existe uma origem genética que precisa ser explicada corretamente, mas existe também a experiência da gestação, do nascimento, do vínculo e da maternidade que será construída. Algumas mulheres precisam de mais tempo para elaborar tudo isso, e esse tempo precisa ser respeitado”, afirma a Dra. Carla.


Para a especialista, falar sobre fertilidade antes que exista uma dificuldade para engravidar também é fundamental. Informar sobre envelhecimento ovariano não significa determinar quando uma mulher deve ter filhos, mas permitir que ela conheça o funcionamento do próprio corpo e possa tomar decisões reprodutivas com mais informação.


“Precisamos falar sobre fertilidade sem culpa e sem assustar as mulheres. Ninguém deve decidir ter um filho apenas porque o relógio biológico está passando. Mas toda mulher merece conhecer o impacto da idade sobre seus óvulos, entender quando a preservação da fertilidade pode ser considerada e ter informação para fazer suas próprias escolhas”, finaliza a Dra. Carla Iaconelli.


Quando os próprios óvulos deixam de representar um caminho possível, o desejo de ser mãe não necessariamente termina com eles. A reprodução assistida pode oferecer outras possibilidades, e informação, acolhimento e avaliação individualizada são fundamentais para que cada mulher decida o que faz sentido para sua própria história.

Redação RJ

Redação Beauty Harmonia.